Tem algumas coisas que rolam por aqui, sr. Motorista, que só me levam à conclusão de que temos um país de fanfarrões que pedem pra ficar - e são atendidos.
Essa parada de eleições... esse exercício de cidadania e fortalecimento da democracia que... ahhhhhh pelo amor de Deus! Quantos por cento da população sabe escrever democracia e quantos sabem o que é mesmo cidadania?
Votei conscientemente, votei obrigatoriamente, mas votei com racionalidade e com total segurança de cada escolha, nada de premiar alguém porque vou com a cara. Aliás, se fosse assim melhor eleger o Thiago Lacerda (né mulherada?)
Não vou ficar aqui repetindo o tamanho da patifaria que se repete a cada época eleitoral em candidaturas absurdas e que são chacotas baixas com cada criatura normal e racional desta... "nação". Até porque essa cena calhorda é apoiada por aqueles que ainda são chamados de cidadãos, portanto só tenho muito a lamentar, além de fazer minha parte bem feitinha e ponto final.
Então, o que vou fazer aqui é expor minhas insatisfações, inconformismo e incômodos em relação a essa premiação aos cargos públicos:
1. Ficha Limpa
É engano meu ou ter a ficha política "limpa" passou a ser uma qualidade e não uma prerrogativa?
Dúvida: para representar a população basta não ter cometido nenhuma falta política? Estupro, agressão física, assassinato em série, extelionato, conduta moral duvidosa, vida dupla e outras atitudes, ações ou comportamentos que a pessoa pratique ou tenha praticado não são importantes?
2. Idoneidade
Pra comprar alguma coisa vc precisa ter seu nome limpo. Pra ser candidato não. Você não acha isso meio estranho?
"Ah, meu caro, estão cobrando muito de você, hein!"
Pra se construir uma carreira bacana, conquistar bons empregos e cargos é preciso boa formação, idiomas e até mesmo vivência no exterior. Pra ser candidato a um cargo político não. Ainda acha só "meio" estranho isso?
"Mas aonde é que que nós vamos parar!?!"
"É por isso (qual dos dois) que esse país não vai pra frente..."
Curioso, isso não...?
3. Emprego
Um candidato a estagiário que não tenha um terno pra uma entrevista é descartado. Ou que fale gírias ou mesmo que more em locais marginais da cidade. Mas um candidato por se vestir de palhaço, pode falar errado, pode ter agredido a própria esposa, pode ser um usuário reincidente de drogas...
Aliás, um candidato pode ser qualquer coisa. Até analfabeto funcional. Não precisa ter engajamento ou entendimento político, né Romário, Marcelinho Carioca, Sergio Reis, KLB Brothers, Mulheres-fruta e tantos outros fanfarrões que sacaneiam cada brasileiro e ainda são aplaudidos, ovacionados por uma fatia da população que mescla outros fanfarrões e muitos ignorantes.
Aos fanfarrões... acho melhor nem me manifestar, porque esses tem consciência, estudo, tudo o que é preciso pra ter algum discernimento, mas abrem mão. E aos ignorantes, sorte! Sorte pra que consigam evoluir em suas vidas, estudos e compreensão das coisas como são neste país e como afetam a si e à sociedade.
4. Mas que papelão, hein!?!
Essa frase vai para:
- Netinho de Paula, que no Pânico apertou a mão do Vesgo, mostrando que é um grandicíssimo... típico poítico brasileiro, o mais caricato e desprezível deles.
- Sr. Presidente da República, que por mais respeito que tenha à sua história, não posso achar correto que apóie determinado candidato enquanto ainda está presidente, deveria se afastar do cargo para fazer esse tipo de campanha.
- José Serra, que faz uma cara de simpático e sorridente e só assusta mais ainda querendo ser o que não é.
- Alckmin e Cassab, que ficam posando em fotinhos com o Serra como se fossem os três mosqueteiros, compadres e amigos de infância.
- Sra. Roriz. Ah! Faça-me o favor! Dê-se ao respeito, tenha auto-estima e não uma boneca de forró na mão do sr. seu marido.
- Ah! Dona Roseana e sr. Jader, vocês também podem tomar um pouquinho de vergonha, né?
- Excelentíssimos Senhores Ministros do TSE. Juram pelo salário de vocês que ainda estão pensando se o "Ficha Limpa" vai
OU NÃO valer pra este pleito?
5. Cidadania e consciência
Cada vez mais realizo que um dia as coisas serão melhores aqui. Não sei se até lá estarei viva, ainda pretendendo viver até os 90, pelo menos. Mas essa realização, essa compreensão da realidade do país e das pessoas, principalmente, que aqui vivem - (sejam brasileiras ou não. porque isso contamina mais que a dengue ou a gripe do porco) - que se solidifica em mim a cada dia, a cada informação do meu próprio círculo social, só me entristece e me faz crer fielmente de que EU é que tenho que fazer o meu e pra mim e pros meus. EU é que tenho que fazer a minha parte para mim e para o todo e sem esperar nada em troca, ou melhor, tendo em troca apenas a consiência limpa, o real exercício da cidadania e a tranquilidade de que dei meu melhor e fiz o que pude por mim, pelos meus e pelo todo para o bem comum.
Faço isso sendo honesta nas minhas relações pessoais e de trabalho, por meio da docência, por meio da fé, caridade e da amizade. Mas a partir deste ano passei a fazer acontecer através de atitudes e ações concretas, porque não se vive só de ideais ou de comportamentos individuais, de fato mobilizar é algo importante e necessário.
Agora chega. Preciso começar a pensar em quem votar no segundo turno presidencial.
E essa coisa de mobilizar e fazer acontecer vou contando aqui no blog conforme as coisas puderem ser anunciadas e também forem sendo realizadas.
Finalizo com uma inquietação (que parece ser exclusiva à minha pessoa) a quem interessar possa ou a aos profissionais das leis:
O comportamento jocoso do candidato a Deputado Federal Tiririca não é passível de ação judicial, uma vez que ironiza e ridiculariza o cargo pretendido e conseqüentemente a casa pública em que pretende trabalhar? Não seria passível de ação, já que existe todo um "esforço" do governo e dos partidos para que se entenda a importância de uma eleição e vem um candidato completamente na contramão desse movimento?
Nesse caso, o Ministério Público não está representando o povo ou defendendo as insittuições/constituição/república, está?
Vai descer, motorista! Nessa viagem não vou nem que me prometam uma dentadura.