Era fim de agosto quando toca meu telefone e Maria Aparecida Ferrari me chama pra uma reunião, ocasião que me convidaria para lecionar, para começar nessa arte. Fábio França estava se licenciando por motivos de saúde e ambos concluíram que eu seria um bom nome pra substituí-lo em algumas matérias.
Como dizer não a um convite desses???? Não se diz não a um convite desse e ponto final.
Quando eu iria imaginar que meus professores me convidariam para ser colega deles com apenas 2 anos de graduada e com a pós em curso.
De lá pra cá, passaram-se 7 anos de Metodista, Belas Artes e Faat... Muitas carinhas, muitas vidas que vi desabrochando, muito stress, muita prova pra corrigir e diário de classe pra preencher.
A vida do professor não é nada fácil, é cheia de responsabilidade e trabalho quase que 24h porque há tb a parte da postura, né... E ainda temos que ouvir: você trabalha ou só da aula?- É mole?!
Houve um tempo em que lecionava quase todos os dias e vi que era ainda mais trabalhoso que estar full time no mercado. Hoje me divido entre academia e mercado, sim, eu "trabalho e dou aula"...!
Lecionar é uma arte, é um exercício de humanidade, de humildade, de convivência e principalmente de tolerância e adaptação. Cada turma que vem é uma, é única e cada integrante da turma precisa de um tratamento específico, de um tipo de atenção. E não pense que a coisa acaba em sala de aula ou se resume ao conteúdo da carreira, é preciso entender um pouco das histórias daquelas pessoas, enfrentar divórcios, términos de namoro, morte de cachorro, batalha por estágio, incertezas profissionais, crises pessoais e muito mais. É preciso saber, conhecer seu aluno e isso é muito mais que saber/decorar o nome dele. Muitas vezes essa participação é até mais importante que seu papel formal e tradicional de educador, ser companheiro da jornada da aprendizagem também é fundamental para despertar a vontade e a curiosidade naquele que aprende junto com você.
Tenho que reconhecer que de uns tempos pra cá as coisas tem sido complicadas, mas faz parte de qualquer mercado em evolução. Sempre haverá professor ruim e aluno chato, professor chato e aluno ruim. Mas é exercício, lembra?
O melhor de ser um docente não é ensinar, mas aprender um pouquinho com cada pessoa que passa na sua vida, aprender desde as gírias mais recentes (!) como novos conceitos e valores a partir das histórias de cada um. Eu adoro lecionar, adoro ser professora, adoro ser confundida com aluno até hoje!!! (lecionar remoça, tenho essa teoria). Curto muuuito sair com meus alunos e ex-alunos, dar risada, falar besteira e de vez em quando receber um e-mail pra dar conselhos (acha?) ou pra me convidar pra formatura (só pra me verem me acabando de chorar).
Enfim ADORO ser professora. E olha que demorei pra aceitar/assimilar essa condição e ter gente me chamando assim.
Sim, esta tambem sou eu: Thaís, a Thá, fessora, prô, prófi, prófis, profê, professora.
Beijos a todos ao meus professores todos, desde a tia Nancy da fase I, tia Fátima da primeira série, Manon (6ª série) e Marilda (1º colegial) -por bloquearem matemática por um longo tempo na minha vida -, queridos professores-amigos da faculdade, professores-feras da pós na FGV, colegas das instituições pelas quais passei, mas hoje o beijo é especial para os mais de 300 rostinhos que já passaram por mim.
Queridos alunos,
Saibam que nunca esqueço de vocês, das passagens em sala ou exta-classe, de cada momento (às vezes esqueço o nome, mas conheço cada um). Espero que a vida de vocês seja tão linda quanto as experiências que me proporcionaram. Obrigada!
Menção especial para professores oficiais e oficiosos que me ensinam todo dia:
Família (é mta gente!), João Henrique Siqueira (professor e marido), Ana Manssour, Rodrigo Cogo, Leni Pontinha, Isabel Rodrigues, João Fortunato, Rose (doméstica e gladiadora!), Elaine Lina de Oliveira, Maria José, Margarida Kunsch, Waldemar Kunsch, Isildinha (Isis) Martins, Denise Guazzelli, Jocélia Mainardi, Luis Massoco, Maria Aparecida Ferrari, Fabio França, Luis Alberto de Farias, Silvana Nader, Maura Padula, James Grunig, Claudia de Cilo, Marcia Ceschini, Everton Schultz, Gisele Lorenzetti, Gislaine Rossetti, Carlos Carvalho, Sidnéia Gomes Freitas, Wilson Bueno, Marques de Mello, Marcia Tondato, Carolina Terra, Edney (Interney), Eduardo Sphôr, Tucano ou Fernando Russel, Alexandre Ottoni, Deive Pazos Gerpe, Fabio Yabu, Etevaldo Siqueira, Danilo Andreoli, Maria Helena Santana Martins. Entre outras tantos mestres.
